Period blood A–Z

Sangue menstrual de A a Z


Precisamos de falar mais sobre o sangue menstrual. Sim, dissemos mesmo isto. Apesar de ser algo com que lidamos regularmente, continua a parecer algo que deve ser mantido em silêncio e suportado com estoicismo todos os meses. Sejamos sinceros: a falta de conhecimento não ajuda e pode, sem dúvida, deixar-te a preocupar-te com o teu período e sim, todos nós já passámos por isso. Como afirma a Dra. Jen Gunter, ginecologista de renome, “ninguém alguma vez saiu a ganhar por saber menos sobre o seu corpo” [1]. O teu sangue menstrual tem uma história para contar e pode revelar muito sobre a tua saúde em geral. Tanto assim que o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas chega a considerar a menstruação um sinal vital [2]! Estamos aqui para te ajudar a compreendê-lo.

O que é o sangue menstrual?

O sangue menstrual é sangue… certo? Bem, mais ou menos. O sangue menstrual é, na verdade, composto apenas por cerca de 30-50% de sangue [3]. O restante são células endometriais e secreções da vagina e do colo do útero [4]. Se isto te surpreende, fica a saber que não és a única pessoa que não aprendeu esta informação nas aulas de saúde.

Cantinho para desfazer mitos:

Mito: O sangue menstrual é sujo

Verdade: Ainda há uma grande parte da sociedade que considera a menstruação suja, impura e até tóxica [5, 6]. Mas a verdade é que não há nada de sujo nela! A menstruação é um processo corporal normal e saudável, e não é mais anti-higiénica do que outras formas de sangue ou fluidos corporais. Por isso, vamos deixar a vergonha de lado.

A que deve cheirar o meu sangue menstrual?

Imagino que esta questão tenha surgido a quase todos nós, numa altura ou outra. A que deve cheirar? Bem, todas as pessoas que menstruam têm um odor natural único no seu sangue menstrual. Isto deve-se às bactérias da vagina, conhecidas como flora vaginal, e a uma pitada de cobre [7]. No entanto, se notares algum cheiro invulgarmente forte ou desagradável durante o teu período, o melhor é falares com o teu profissional de saúde.

Consistência do sangue menstrual

A consistência e a textura do sangue menstrual podem variar de pessoa para pessoa. Seja espesso, fino, com grumos, gelatinoso ou pegajoso, tratam-se normalmente de variações do normal.

Coágulos de sangue no período

  • Algumas pessoas podem expelir coágulos durante o período.
  • Os coágulos formam-se quando o sangue menstrual é libertado do revestimento e coagula no útero.
  • O corpo precisa de tempo para produzir anticoagulantes que desfaçam os coágulos e voltem a liquefazer o sangue.
  • Nos dias em que o período é mais intenso e o fluxo de sangue é rápido, o corpo tem menos tempo para desfazer os coágulos, que podem sair pela vagina.
  • Na maioria das vezes, expelir coágulos não é motivo de preocupação.
  • Fica de olho em coágulos grandes (maiores do que uma moeda de 25 cêntimos ou com mais de 2,5 cm), pois podem ser um sinal de períodos intensos, também chamados menorragia.

O que é um período aquoso?

Em alguns meses, o teu sangue menstrual pode ter um aspeto mais espesso e com coágulos, enquanto noutras alturas pode ser mais fino e aquoso. Isto é geralmente normal; o que importa é prestares atenção a quaisquer alterações na consistência do teu sangue menstrual, ou se este desaparecer por completo sem saberes porquê, e não teres receio de consultar um profissional de saúde se notares algo fora do normal.

Cores do sangue menstrual

O sangue menstrual pode apresentar-se em várias cores, sendo as mais comuns o vermelho e o castanho, mas também pode ser rosa, castanho-escuro ou até preto. Queres saber mais? Consulta o nosso artigo sobre as cores do sangue menstrual.

Quanto sangue menstrual sai do corpo?

A quantidade de sangue perdida durante o período menstrual pode variar de pessoa para pessoa. Para algumas, é tão pouco como 10 ml e, para outras, chega aos 80 ml. Em média, perdem-se entre 30 ml e 40 ml, o que corresponde a cerca de 2 a 3 colheres de sopa [10]. Se comparares isto com a quantidade de sangue que se perde numa doação de sangue, que é de 470 ml, afinal não é assim tanto!

O que é um período intenso?

Um período intenso define-se como uma perda superior a 80 ml durante a menstruação. Em termos mais simples, pode ser classificado como a necessidade de trocar pensos, tampões ou cuecas menstruais todas as horas durante várias horas seguidas, sangrar durante mais de 7 dias ou qualquer perda excessiva de sangue menstrual que afete a tua qualidade de vida. Se te preocupa a possibilidade de estares a passar por isto, fala com o teu profissional de saúde. Podes ler mais sobre períodos intensos aqui.

Abraçar o teu período

Da menarca (o teu primeiro período) à menopausa (o teu último período), a menstruação acontece todos os dias a centenas de milhões de raparigas, mulheres, homens transgénero e pessoas não binárias. Como já deves ter percebido, prestar atenção ao teu período pode revelar muito sobre a tua saúde em geral. Claro que há uma variação linda e enorme no que toca às cores, à consistência, à textura e à intensidade do sangue menstrual, mas o que importa é saberes o que é normal para ti. Recomendamos que registes o teu ciclo (há muitas aplicações de registo do ciclo disponíveis ou um bom diário também resolve na perfeição) para te alertar se algo parecer invulgar ou desconhecido. Afinal, mal nos lembramos do que comemos ao pequeno-almoço, quanto mais dos detalhes de um período de há meses. Se isto te preocupa ou se algo não te parecer bem, fala sempre com o teu profissional de saúde.

Referências
  • 1. Gunter J. The Vagina Bible: The Vulva and the Vagina -- Separating the Myth from the Medicine: Citadel Press; 2019.
  • 2. Care ACoAH. ACOG Committee Opinion No. 349, November 2006: Menstruation in girls and adolescents: using the menstrual cycle as a vital sign. Obstet Gynecol. 2006;108(5):1323-8.
  • 3. Fraser IS, McCarron G, Markham R, Resta T. Blood and total fluid content of menstrual discharge. Obstet Gynecol. 1985;65(2):194-8.
  • 4. Yang H, Zhou B, Prinz M, Siegel D. Proteomic analysis of menstrual blood. Mol Cell Proteomics. 2012;11(10):1024-35.
  • 5. Garg S, Anand T. Menstruation related myths in India: strategies for combating it. J Family Med Prim Care. 2015;4(2):184-6.
  • 6. Johnston-Robledo I, Chrisler JC. The Menstrual Mark: Menstruation as Social Stigma. Sex Roles. 2013;68(1):9-18.
  • 7. Jones MM. Human Reproductive Biology: Elsevier Science; 2012.
  • 8. Dasharathy SS, Mumford SL, Pollack AZ, Perkins NJ, Mattison DR, Wactawski-Wende J, et al. Menstrual bleeding patterns among regularly menstruating women. American journal of epidemiology. 2012;175(6):536-45.
  • 9. Garry R, Hart R, Karthigasu KA, Burke C. A re-appraisal of the morphological changes within the endometrium during menstruation: a hysteroscopic, histological and scanning electron microscopic study. Hum Reprod. 2009;24(6):1393-401.
  • 10. Fraser IS, Critchley HO, Broder M, Munro MG. The FIGO recommendations on terminologies and definitions for normal and abnormal uterine bleeding. Semin Reprod Med. 2011;29(5):383-90.
  • 11. Sriprasert I, Pakrashi T, Kimble T, Archer DF. Heavy menstrual bleeding diagnosis and medical management. Contracept Reprod Med. 2017;2:20.

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